Alegria, alegria

Nada profundo é o que tenho por dizer. Nada profundo mesmo.

Havia em certa esquina um pedacinho de alegria bruta. Ele vinha de uma forma confusa, completamente assimétrica, e de uns olhares soltos, uns sem definição alguma, mudando, mudando, de inconstante que era.

Pois vê que, no meio de tantos outros pedaços, uns de alegria lipidada, esta nossa alegriazinha simplesmente parava lá na sua esquina, esperando deus-sabe-o-quê de deus-sabe-quem. E as outras alegrias reajustavam-se, perfumavam-se, definiam-se cada vez mais, enquanto a nossa coisinha torta nem questionava sua pequenez. Apenas recolhia-se à sua "desforma" e se acontecia bem ali, naquela certa esquina.

E foi assim por grandes idades, até que o dia chegou. Quando os homens chegaram para escolher sua felicidade, todas as alegrias foram escolhidas, uma a uma, por seus brilhos, suas cores, suas formas bem trabalhadas, mas somente uma, a alegria bruta, que não passara por tratamento algum, fora capaz de proporcionar ao seu portador um riso que valesse por si. E é aí que é valido o chavão de que a gente tem o que a gente procura, é aí.

( Juliana Gama )

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